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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pinga way of life


(para Fellini também)
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Esta, então, é pra ti,
Ingênuo e simplório animal.
Adestra-me tu, ensina-me aqui,
Tu é que sabes da vida, afinal.


O humano, esse engodo, eu já reprimi
Curvo-me ao parvo, ao irracional,
Às favas com Nietzsche e Merleau-Ponty,
Vou mexer meu rabinho e correr no quintal.


Assim como tu, pitoresco modelo,
Rezarei todo dia pelo santo banal
Um passeio no campo e um cafuné no cabelo,
Banho, comida, e um amor amoral.


Pra quê tanto atropelo
Tanto melindre, esse carnaval?
Querer rebuscar-se é um pesadelo,
Gostar de amoldar-se não é natural.


Quero mais é ser uma pinga,
não ler, não saber, e roer o jornal,
um pedaço de osso e uma vida coringa,
Eis o segredo pra ser jovial.


Obrigada, pinguinha.