Não há como conhecer Dionísio sem entrar em sua dança. E eu, em loucura e despedaçamento, acabei por esboçar meus passos sem que percebesse, embevecida pela marginalidade do êxtase que me assustara, mas que teimei em beber. Assim me tornei uma de suas bacantes, enlevada, encantada, arrebatada num indissolúvel transe. Em vão. Ainda era engolida pela força do despeito e pesar austero que inflamam todos os meus castigos, aqueles me seguram pelas pontas dos cabelos e fazem do jugo, da sujeição, uma brincadeira de mau gosto. Eu, que já urgi ao demônio por uma leva de púrpura para aquietar as vísceras, chorei de receio por não saber reagir aos ritmos em sua celebração, no conflito resultante entre a deidade adventícia que pretende ser celebrada numa terra nova e a casa reinante que a considera uma força subversiva aos costumes.
Lembro-me do terror infundado que me pincelava os ouvidos como um sussurro impertinente de insetos enquanto se tenta dormir, e da sensação de tremor, enlevo e desgraça por ter finalmente desanuviado a atmosfera ao meu redor. Êxtase e medo em minha nuca, arroubamento e pedaços em meu dorso, enlevamento e receios em minhas pernas; embevecimento e susto em minha boca. Assombro. Não há como conhecer Dionísio sem entrar na sua dança.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Uma de suas Bacantes
Postado por Christina Zaccarelli às 09:21
