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domingo, 21 de dezembro de 2008

O Tédio e o homem aranha


Sabe como é... férias, fim de ano, época de descansar o corpo e a cabeça... pelo caminho da obviedade, bem que eu tentei descolar um cineminha esses dias. Impossível. Im-pos-sí-vel! Em primeiro lugar, a maioria dos cinemas está localizada dentro dos shopping centers. E aí a história é velha: Não há vagas nos estacionamentos, milhares de pessoas se amontoam para comprar 'não sei o quê de muito importante' como se fosse o fim dos tempos. Em segundo lugar, o cinema em si vira um caos. A fila, ou melhor, a fiiiiiiiiiiiiila vira o seguinte: milhares de pais aflitos segurando seus pimpolhos barulhentos, esperam a oportunidade de enfiá-los na grande sala de escura, com outros pais aflitos e outros tantos pimpolhos barulhentos. E a fila é a mesma. Ou melhor a fiiiiiiiiiila.

Isso me fez pensar em várias coisas: De imediato (e mais superficialmente) na falta de traquejo de muitos pais que aproveitam (!!) as férias para enfiar os filhos nos shoppings como se não houvesse espaço melhor para brincar, criar, correr, se sujar e fazer o merecido barulho em lugares apropriados. Já repararam como há pais e mães que se desesperam em época de férias escolares porque não sabem o que fazer com os rebentos em casa? Repararam como há pais e mães que brigam com as escolas porque as férias são 'longas demais'? Pois é.

Mais tarde, fiquei também pensando no tamanho do buraco em que todos estamos enfiados. Explico-me: A indústria do entretenimento (já começa pelo nome...estranho, não?) só nos EUA movimenta (fui checar), em média, 220 bilhões de dólares por ano, o que significa 42% da economia cultural do mundo. Pode ser loucura da minha cabeça, mas, há algo de muito errado quando um cidadão de classe média passa diariamente 4 horas e 28 minutos (média mundial, medida pelo Eurodata TV worldwide) em frente a uma televisão, em uma sociedade cuja reclamação número um é justamente a falta de tempo que atinge todo mundo (É mais ou menos assim: ninguém tem tempo para nada.... mas pra 'Hebe' a gente dá um jeitinho?).

A minha pergunta é: será que o mundo contemporâneo nos entediou de tal maneira que só o Homem Aranha nos salva? Literalmente? Será que a realidade é tão enfadonha que precisamos de 220 bilhões de dólares para nos ENTRETER? Entreter -a palavra - na minha cabecinha oca, é aquilo que fazemos enquanto esperamos a vez no consultório médico, ou seja, algo que faça 'passar o tempo', 'distraia a cabeça', para que não percebamos que estamos em um lugar muito chato, a espera de uma outra atividade muito chata. Por isso, nos "entretemos". É nisso, então, que transformamos nossos cotidianos?
Que medo. Sério, que medo. Aliás, vou sair do computador AGORA e vou fazer algo mais produtivo.