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quarta-feira, 3 de novembro de 2010




“The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn!!” (kerouac)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


Sobre Bob Dylan.

Antes de mais nada, admito que não sou uma grande conhecedora da obra de Bob Dylan. Tenho plena consciência de que nem muita coisa tenho: a me olhar da estante, neste exato momento, estão Highway 61 Revisited, Blonde on Blonde, All back home e Blood on the tracks. Também tenho uns 3 ou 4 dvd's e algumas porcarias achadas no emule, mas nada que me credencie a figurar no seleto grupo de xiitas sobre o poeta.
Mas tudo bem.
A primeira vez que o ouvi, estava na casa de um tio meu que sabe muito sobre a arte da poesia (e outras também). Aliás, olhando em retrospecto, acho que ele tentava me ensinar alguma coisa aquele dia. No entanto, eu, adolescente em trânsito pelos anos 90, estava mais preocupada com a unha roxa do Nuno Bittencourt ou o último bigode do James Hetfield . (talvez Bob Dylan seja como os filmes de Woody Allen... você não será alegremente espancado pelos primeiros quinze minutos de 'Manhattan' se ainda tiver 14 anos e seu maior dilema na vida for decorar equações para a prova de química).
De qualquer forma (e até por curiosidade lingüística), anos mais tarde retomei àquela gravação e pensei (num vergonhoso clichê, aqui confessado em letras minúsculas) que talvez Bob fosse 'cerebral' demais....sem emoção....
Pois é. Mas isso foi até "ballad of a thin man".....
A verdade é que eu queria SER o Bob. Pois é, é isso. Eu tenho é inveja dele. Queria ter sido alguém que saiu de casa ainda criança e que mudou de sobrenome sem mais nem menos por se considerar "sem passado". Imagino-me viajando por aí de carona, sem nada na bagagem a não ser o violão, a gaita e o peito aberto... (apesar de não tocar nenhum dos dois e de ter pego carona uma só vez na vida e ter passado metade do caminho rezando o pai nosso..) Adoraria ter sido EU a dar aquele olhar blazé para a platéia incrédula do Newport Folk Festival em 65 que gritava 'Judas!' a cada segundo, com o desprezo genial de quem sabe para onde está indo (e, pior....acertar...a despeito do rancor de quem me vaiava). Aliás, quisera eu ter dissecado aquele moralismo puritano burguês norte-americano em só uma esfrofe:
The hysterical bride in the penny arcade
Screaming she moans, "I've just been made"
Then sends out for the doctor
Who pulls down the shade
Says, "My advice is to not let the boys in"
..e sair rindo...indiferente, enquanto apontava minha metralhadora giratória para outro lado....
Ainda queria mandar todo mundo à merda, inventar uma reclusão no meio do mato e não estar pra ninguém, porra. Queria ser tão sofisticadamente simples como ele.
Eu sei, nunca farei nada disso. Tudo bem. Mas para isso eu tenho o Bob.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010




Meu amor,




Vamos sair por aí, sugando e lambendo o dia,
Enriqueçamo-nos de frugalidade,
enganando o caminho e a conformidade.

Vamos matar a inércia e quem sabe a letargia.


Eu deixo para trás a passividade,

Abandono a tv e a melancolia,

Você leva consigo sua amibilidade,
A bagagem da vida e a mala vazia.

Ouvir o cheiro da selva a gritar piedade,

e o inesperado da mata a chorar, fugidia,
Andamos à esquerda, não na nostalgia,
Corremos na chuva da clandestinidade.

Eu, você e a rodovia,

Sem dinheiro, sem cheque, ou sequer burguesia

Sem encrenca, frescura ou moralidade,

o amor e a estrada - isso vale a saudade
.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010


PLAY.

(love, love, love....)

Figuro entre os imbecis que não perdem as esperanças...

(Love, love, love)

Afinal, os cínicos, vis e prontos, tecem teias que lhe renderão frutos. Prefiro o grito cifrado de um fétido e sábio vagabundo a um bufar narcisista sob olhos assépticos às três da tarde.

(There’s nothing you can do that can’t be done...)

Prefiro a delicadeza bombástica de Jackson Pollock ao preciosismo patético de um acadêmico qualquer.

(there’s nothing you can sing that can’t be sung….)

Não sou flor que se cheire…nunca fui. Nunca soube qual seria o próximo passo...

(nothing you can say but you can learn to play the game…)

Ouço melhor o sussurro não-fragmentado dos que têm segredos perversos em um quartinho escuro ao invés dos aplausos orgulhosos a uma pseudo-competição que no fundo não leva a nada.

(it's easy...)

O instinto me interessa. O Humano me interessa. Tudo o que não é cientificamente comprovável, moralmente desejável, me interessa.

(nothing you can make that can’t be made)

Prefiro o buraco na Estrada à inércia do velho caminho....

(nothing you can save that can’t be saved)

Continuo, enfim, desmerada. Afinal, todo demérito contempla uma boa leva de otimismo rasgado e saudosista.

(nothing you can do but you can learn how to be in time)

Prefiro a causa à conseqüência… Prefiro a sátira à descrição.

(All you need is love)

Prefiro a bênção de um andarilho sem futuro à exibição de um decote profundo na alameda Lorena às 11 da noite.

(All you need is love)

Prefiro o humano

(All you need is love)

Prefiro o humano

(All you need is love…love...love is all you need...)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Manifesto à ultrafeminilidade

Eu quero. Acho que tudo começou com um simples "eu quero" para que as coisas em meu espírito fizessem sentido. Passei boa parte da minha adolescência dando murros na mesa e citando Simone de Beauvoir para que talvez nunca tivesse de conseguir ultrapassar a barreira do lugar-comum. Em vão. O lugar-comum não me representa. Desde os anos sessenta, tudo aquilo que constitui a dimensão narcisista da mulher é considerado fraqueza. Coque, combinação, renda, luvas e delicadezas foram substituídos por chapinha, tenis nike, camiseta e competição... muuuuita competição. Nada mais chato. Nós achávamos que para ser iguais em direitos, deveríamos ser iguais em testosterona. Uma lástima.
Depois, nos anos oitenta, a coisa piorou: transformamos exatamente aquilo que considerávamos fraqueza em poder contra os homens. Era o início de uma guerra. Poder e dinheiro, fama e glória, "estar no topo do mundo" (seja lá o que isso signifique) , passaram a ser mantras repetidos por milhões e milhões de mulheres afoitas, que, entre outras coisas, ansiavam à perfeição inatingível e negavam os próprios limites. Mas eu entendo: Precisávamos nos defender contra qualquer tipo de sugestão. Era o começo. Precisávamos experimentar forças. Saber do quê se tratava.
Hoje, o descompasso é tão grande que muitas vezes me pergunto quem é mais machista. Conheço tantas mulheres que não têm consciência da beleza tênue, sólida, forte, prudente e ao mesmo tempo absolutamente descontínua de ser mulher que às vezes até me assusto. A poesia foi morta. Há tempos a poesia foi morta .... todos nós, homens e mulheres, nos tornamos práticos, eficientes e prestativos "ganhadores de dinheiro' sem tempo para o acolhimento, o sonho e a dedicação. a cumplicidade.
Não que eu esteja defendendo à volta aos bobes com redinha. Não! De maneira alguma! Tenho plena consciência das dificuldades enfrentadas por minha mãe e minha avó que fizeram com que eu tivesse a liberdade para me instruir como bem entendesse e pudesse escrever pensamentos sapecas em um blog na internet. (nada é mais importante que liberdade. nada. nem água).
Eu quero o mistério. Quero o sonho e o delírio. Quero o acolhimento e a solidariedade. Quero rir de mim mesma enquanto me perco tentado decifrar um mapa. Quero os detalhes. Quero ser livre para ser quem eu bem quiser, ao invés de me moldar de acordo com o que pensa a “última tendência" da cultura de massa. Quero cuidar daqueles que amo. Quero ter tempo para ouvir as histórias de meus avós e me emocionar com uma carta que veio pelo correio...(tá bom, vai.. vale email.... mas carta tem cheiro.... email não). Quero comer algodão doce na pracinha e jogar dominó com os aposentados. Quero ser o abrigo e a defesa daqueles que sabem a diferença entre dedicação e eficiência. Quero a doçura e a delicadeza. Quero resistência e melodia. Quero flores, muitas flores. De todas as formas, cheiros e cores e quero, principalmente, olhos atentos para saber aprecia-las com a admiração que elas merecem. Nós passamos a vida reclamando e enxergando o pior, mas sejamos honestas: hoje temos tudo aquilo que nossas mães conquistaram e podemos ter ainda mais: a alegria de ser mulher, o prazer de se fazer bonita, a virtude do acolhimento, a novidade da voz aguda e ouvida e a liberdade da escolha. É um feito e tanto. Faça-se erguer sobre uns saltos altos! Celebremo-nos!


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pinga way of life


(para Fellini também)
.
.
Esta, então, é pra ti,
Ingênuo e simplório animal.
Adestra-me tu, ensina-me aqui,
Tu é que sabes da vida, afinal.


O humano, esse engodo, eu já reprimi
Curvo-me ao parvo, ao irracional,
Às favas com Nietzsche e Merleau-Ponty,
Vou mexer meu rabinho e correr no quintal.


Assim como tu, pitoresco modelo,
Rezarei todo dia pelo santo banal
Um passeio no campo e um cafuné no cabelo,
Banho, comida, e um amor amoral.


Pra quê tanto atropelo
Tanto melindre, esse carnaval?
Querer rebuscar-se é um pesadelo,
Gostar de amoldar-se não é natural.


Quero mais é ser uma pinga,
não ler, não saber, e roer o jornal,
um pedaço de osso e uma vida coringa,
Eis o segredo pra ser jovial.


Obrigada, pinguinha.










quinta-feira, 1 de julho de 2010


Mulher. Em árabe.

Sapho, o moço bonito, a cooperação, Billie Holiday (e o dia que ela botou a KKK prá correr), Pagu, Martial Raysse, a sutileza, mel e gengibre, Lou Andreas-Salomé, Blu Vertigo, Jean Vigo, Bessie Smith. Os detalhes. Maio de 68, Joaquim Pedro de Andrade, água de rosas, Madredeus, Björk, a Lua, Anais Nin, Rosa Luxemburg, o sussurro, Ala heisb weddad (Abdel Halim Hafez), Nina Simone, Clarice....oh meu Deus..Clarice Lispector.... Anita malfatti, a percepção aguçada, Cezaria Evora, Os sonhadores, as mães da praça de Maio, La dolce Vita, o intuitivo, Isabel Allende, Beaubourg (e o cafelatte às 5 da tarde de qualquer terça feira gelada), Saag, Jack Kerouac, a elevada capacidade para a devoção, Man Ray, a matilha, Antonioni, "Ocean", Giuseppe Verdi, o olhar de soslaio, Milan Kundera, Frida Kahlo, Maria Callas, o cíclico, Simone de Beauvoir (inevitável...eu sei....), Pedro Juan Gutierrez (e todas as cores que ele fez explodir em minha cabeça), oléo, incenso e mirra, a resistência, Toulouse-Lautrec, o perfume do cardamono, ser gregária por natureza, Jenny Holzer, Vênus de Milo, "Mysterious ways", Sedna, o abstrato, Manawee, o paganismo Celta, Zelda, Letizia, "Adeus minha concumbina", Augusto dos anjos, Autour de lucie, Etta james, Malena, a experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação, Bella Martha, o coletivo, "A Bela da tarde", as matas virgens, Violeta Parra, Tate modern e todos os lobos que farejam as idéias de Clarissa P. Estés.